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Segundo Cérebro: intestino

Os médicos acreditam cada vez mais que a função do nosso sistema digestivo vai muito além de processar a comida que ingerimos. Neste artigo, apresentamos alguns dados sobre o intestino que explicam por que sua saúde é chave para o bem-estar geral do corpo.

Ele tem mais neurônios que a espinha dorsal e age independentemente do sistema nervoso central. Do que estamos falando?  Certamente, o intestino não foi a primeira opção em que você pensou ao analisar a pergunta, mas trata-se dele – e é justamente por isso que muitos o consideram de “o segundo cérebro” do corpo.

Esse cérebro “independente” em nossas entranhas e sua complexa comunidade microbiana influem no nosso bem-estar geral. E mais: há está investigando se ele poderia ser usado para o tratamento de doenças mentais ou do sistema imunológico.

Aqui, apresentamos alguns fatos surpreendentes sobre o nosso “segundo cérebro”:

  1. Um sistema nervoso autônomo

“Diferente de qualquer outro órgão do corpo, nosso intestino pode funcionar sozinho. Tem sua própria autonomia para tomar decisões, não precisa que o cérebro lhe diga o que fazer”. Os neurocientistas descobriram que o intestino também é capaz de se lembrar, ficar nervoso e dominar o seu nobre colega – o cérebro.

O que “governa” o intestino é o chamado sistema nervoso entérico (SNE), que é uma “sucursal” do sistema nervoso autônomo do corpo – o responsável por controlar diretamente o sistema digestivo.

Esse sistema nervoso se estende pelo tecido que reveste o estômago e o sistema digestivo, e possui seus próprios circuitos neurais. Embora funcione de forma independente, ele se comunica com o Sistema Nervoso Central (SNC) através dos sistemas simpático e parassimpático.

Nosso intestino possui altíssima concentração de células nervosas, quase exatamente como a estrutura do cérebro. Ambos produzem substâncias psicoativas que afetam o humor, como os neurotransmissores serotonina e dopamina e vários opióides que modulam a dor.

    1. 70% das células do nosso sistema imunológico vivem no intestino

Isso torna a saúde do nosso intestino a chave para nossa imunidade às doenças.
As pesquisas mais recentes indicam que, se você tem problemas intestinais, é mais provável que seja mais vulnerável a doenças comuns, como uma gripe, por exemplo.

 

      1. 50% das fezes são bactérias

Não são apenas restos de comida: aproximadamente metade de nossas fezes é formada por bactérias.

Muitas dessas bactérias são boas, e por isso os transplantes de fezes podem ser uma forma de tratamento vital para alguns pacientes com um microbioma intestinal debilitado.

 

      1. Quanto mais diversificada a dieta, mais diversificado é o microbioma

Em nosso intestino vivem trilhões de micróbios, que gostam de diferentes alimentos.

Esses micróbios são fundamentais para a digestão porque sua atividade permite que nosso corpo absorva certos nutrientes dos alimentos.

“Os micróbios são como os nossos bichinhos de estimação internos, então, você deve cuidar deles e alimentá-los”.

Diferentes micróbios prosperam com diferentes alimentos e, por isso, o microbioma intestinal melhora com uma dieta diversificada. Um microbioma rico e variado está associado a uma maior saúde intestinal, segundo Rossi, e, por consequência, a um bem-estar geral maior.

Por outro lado, as pessoas que sempre comem as mesmas coisas têm um microbioma mais pobre.

 

      1. Seu intestino está ligado aos seus níveis de estresse e ao seu estado de ânimo

Se você tem problemas intestinais, “algo fundamental que precisa fazer é observar a quanto estresse você está submetido”.

Desestressar é muito, muito importante”.

Também é interessante pensar que a maior parte da serotonina do corpo, estima-se que uma proporção de 80% a 90%, é encontrada no trato gastrointestinal.

A serotonina é um neurotransmissor que afeta muitas funções corporais, como o peristaltismo intestinal – o movimento involuntário que o intestino faz para empurrar o bolo alimentar e permitir que a digestão aconteça no lugar certo.

Responsável pelo nosso bem estar, a serotonina talvez seja o neurotransmissor mais famoso do nosso organismo. O que pouca gente sabe é que a maior parte dela é produzida pelo intestino, que é o nosso segundo cérebro.

As células nervosas existentes no intestino não controlam apenas a digestão dos alimentos, elas são responsáveis por sensações comuns e que são sentidas diretamente nesse nosso órgão.

Vejam alguns exemplos: Ao recebermos uma boa notícia ou, ao nos depararmos com a pessoa amada, um formigamento agradável nos invade – o famoso frio na barriga.  Por outro lado, as situações de tensão, medo ou angústia nos corroem por dentro. A repulsa em direção a algo ou alguém pode produzir náuseas e até mesmo provocar o vômito. Estas sensações têm explicação na ciência.

Ela também está associada a muitos transtornos psiquiátricos. Sua concentração pode ser reduzida pelo estresse e influencia o humor, a ansiedade e a felicidade.

Vários estudos com seres humanos e animais têm mostrado evidências sobre diferenças encontradas no microbioma intestinal de pacientes com transtornos mentais, como a depressão.

Por isso, uma área incipiente de investigação psiquiátrica tem a ver com a prescrição de “psicobióticos”: em essência, um coquetel probiótico de bactérias saudáveis, para melhorar a saúde mental.

 

    1. 6. Você pode melhorar sua saúde digestiva e o seu microbioma intestinal
      • Siga uma dieta diversificada para diversificar o microbioma intestinal;
      • Reduza o nível de estresse, fazendo meditação, relaxamento, mindfulness (atenção plena) ou ioga;
      • Se você já tem sintomas de algum problema intestinal, é melhor evitar álcool, cafeína e comidas apimentadas – eles podem agravá-lo;
      • Tente dormir melhor: um estudo mostrou que, se você muda ou interrompe o relógio biológico alterando seus padrões de sono, também prejudica seu intestino.
      • Ingerir diariamente o líquido produzido pelo Kefir de Água é um importante aliado para cuidar da diversidade e da saúde de seu microbioma!

Fonte: BBC News Brasil